segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O ESPÍRITO SANTO, SOPRA!

O ESPÍRITO SANTO, SOPRA!
Abaixo transcrevo cinco textos significativos sobre o regresso à Igreja Católica de milhares de Anglicanos Tradicionalistas:
» Papa prepara Constituição Apostólica para admitir anglicanos no seio da Igreja Católica Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
NOTA DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ SOBRE OS ORDINARIATOS PESSOAIS PARA OS ANGLICANOS QUE ENTRAM NA IGREJA CATÓLICA
Com a preparação de uma Constituição Apostólica, a Igreja Católica responde às numerosas solicitações que foram submetidas à Santa Sé por grupos de clérigos e fiéis anglicanos provenientes de diversas partes do mundo, os quais desejam entrar em plena e visível comunhão.
Nesta Constituição Apostólica, o Santo Padre introduziu uma estrutura canónica que prevê tal reunião corporativa através da instituição de Ordinariatos Pessoais, que permitirão aos fiéis outrora anglicanos entrarem na plena comunhão com a Igreja Católica, conservando ao mesmo tempo elementos do específico património espiritual e litúrgico anglicano. Segundo o teor da Constituição Apostólica a vigilância e a condução pastoral para tais grupos de fiéis outrora anglicanos será assegurada por um Ordinariato Pessoal, cujo Ordinário será usualmente nomeado dentre o clero até então anglicano.
A Constituição Apostólica que será logo publicada representa uma resposta razoável e mesmo necessária para um fenómeno global, oferecendo um único modelo canónico para a Igreja universal adaptável a diversas situações locais e, na sua aplicação universal, justo para os até então anglicanos. Tal modelo prevê a possibilidade de ordenação de clérigos casados, até então anglicanos, como sacerdotes católicos. Razões históricas e ecuménicas não permitem a ordenação de homens casados como bispos, tanto na Igreja Católica como nas Ortodoxas. Portanto, a Constituição determina que o Ordinário seja um sacerdote ou um bispo não casado. Os seminaristas do Ordinariato sejam preparados junto com outros seminaristas católicos, ainda que o Ordinariato possa abrir uma casa de formação a fim de responder às necessidades particulares de formação no património litúrgico anglicano. Deste modo, a Constituição Apostólica procura criar um equilíbrio entre o interesse de conservar o precioso património litúrgico e espiritual anglicano de um lado, e a preocupação que estes grupos e o seu clero sejam incorporados na Igreja Católica.
O Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que preparou tal provisão, afirmou: “Procuramos vir ao encontro, de modo unitário e justo, dos pedidos de uma plena união que foram submetidos da parte de fiéis anglicanos provenientes de várias partes do mundo nos anos recentes. Com tal proposta a Igreja pretende responder às legítimas aspirações destes grupos anglicanos por uma comunhão plena e visível com o Bispo de Roma, o sucessor de São Pedro”.
Estes Ordinariatos Pessoais serão instituídos segundo as necessidades, prévia consulta com as Conferências Episcopais locais e as suas estruturas serão de algum modo semelhantes às dos Ordinariatos Militares, que foram erigidos em tantos países para providenciar o cuidado pastoral dos membros das forças armadas e de seus dependentes no mundo inteiro. “Os anglicanos que fizeram contacto com a Santa Sé expressaram claramente o seu desejo por uma plena e visível comunhão na Igreja uma, santa, católica e apostólica. Ao mesmo tempo nos falaram da importância de suas tradições anglicanas relativas à espiritualidade e ao culto para o próprio caminho de fé”, afirmou o Cardeal Levada.
A provisão desta nova estrutura está em conformidade com o empenho pelo diálogo ecuménico, que continua sendo uma prioridade para a Igreja Católica, em particular através dos esforços do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. “A iniciativa provém de vários grupos de anglicanos”, acrescentou o Cardeal Levada. “Eles declararam condividir a comum fé católica, como expressa no Catecismo da Igreja Católica, e aceitar o ministério petrino como um elemento desejado por Cristo para a Igreja. Para eles é chegado o tempo de exprimir tal união implícita em uma forma visível de plena comunhão”.
Segundo o Cardeal Levada: “O Santo Padre Bento XVI espera que os clérigos e fiéis anglicanos desejosos de união com a Igreja Católica encontrem nesta estrutura canónica a oportunidade de preservar as tradições anglicanas que lhes sejam preciosas e estejam em conformidade com a fé católica. Enquanto exprimem de modo distinto a fé professada em comum, tais tradições são um dom a ser condividido com a Igreja universal. A união com a Igreja não requer a uniformidade que ignora as diversidades culturais, como demonstra a história do cristianismo. Além do mais, as numerosas e diversas tradições hoje presentes na Igreja Católica estão todas radicadas no princípio formulado por São Paulo na sua Carta aos Efésios: “Um só Senhor, uma só fé, um só baptismo” (4,5). A nossa comunhão é, pois, reforçada por tais diversidades legítimas, e estamos felizes que estes homens e mulheres ofereçam as suas contribuições particulares à nossa comum vida de fé”.
Informações contextuais
Desde o século XVI, quando o Rei Henrique VIII declarou a independência da Igreja da Inglaterra em relação à autoridade do Papa, a Igreja da Inglaterra criou as próprias confissões doutrinais, usos litúrgicos e práticas pastorais, incorporando frequentemente ideias da Reforma ocorrida no continente europeu. A expansão do Reino Britânico, conjugada ao apostolado missionário anglicano, comportou depois o nascimento de uma Comunhão Anglicana a nível mundial.
No curso dos mais de 450 anos de sua história, a questão da reunião entre anglicanos e católicos jamais foi deixada de lado. Na metade do século XIX, o Movimento de Oxford (na Inglaterra) mostrou um renovado interesse pelos aspectos católicos do anglicanismo. No início do século XX, o Cardeal Mercier, da Bélgica, engajou-se em colóquios públicos com anglicanos a fim de explorar a possibilidade de uma reunião com a Igreja católica sob a bandeira de um anglicanismo “reunido, mas não absorvido”.
O Concílio Vaticano II nutriu ulteriormente a esperança de uma união, em particular com o Decreto sobre o ecumenismo (n.13), o qual, fazendo referência às Comunidades separadas da Igreja Católica no tempo da Reforma, reafirmou: “Entre aquelas [comunhões] nas quais continuam a subsistir em parte as tradições e as estruturas católicas, ocupa um lugar especial a Comunhão Anglicana”.
Desde o Concílio as relações entre anglicanos e católico-romana criaram um clima melhor de compreensão e cooperação mútua. A Comissão Internacional Anglicano-Católico Romana (ARCIC) produziu uma série de declarações doutrinais no curso dos anos, na esperança de criar a base de uma plena e visível união. Para muitos membros das duas Comunhões, as declarações da ARCIC puseram à disposição um instrumento no qual a comum expressão da fé pode ser reconhecida. É nesta moldura que se deve enquadrar a nova provisão.
Nos anos sucessivos ao Concílio, alguns anglicanos abandonaram a tradição de conferir as Ordens Sacras apenas a homens, chamando ao presbitério e ao episcopado também as mulheres. Mais recentemente, alguns segmentos da Comunhão Anglicana se distanciaram do comum ensinamento bíblico acerca da sexualidade humana – já claramente expresso no documento da ARCIC “Vida em Cristo” – conferindo as Ordens Sacras a clérigos abertamente homossexuais e abençoando as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Todavia, enquanto a Comunhão Anglicana deve enfrentar estes novos e difíceis desafios, a Igreja Católica permanece plenamente empenhada no seu diálogo ecuménico com a Comunhão Anglicana, em particular através da actividade do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
Muitos anglicanos entraram individualmente na plena comunhão com a Igreja Católica. Algumas vezes entraram também grupos de anglicanos, conservando uma certa estrutura “corporativa”. Isto aconteceu, por exemplo, com a diocese anglicana de Amritsar na Índia e com algumas paróquias nos Estados Unidos que, embora mantendo uma identidade anglicana, entraram na Igreja Católica no quadro da assim chamada “provisão pastoral”, adoptado pela Congregação para a Doutrina da Fé e aprovado pelo Papa João Paulo II em 1982. Nestes casos, a Igreja Católica frequentemente dispensou do requisito do celibato admitindo que aqueles clérigos anglicanos casados que desejam continuar o serviço ministerial como sacerdotes católicos sejam ordenados na Igreja Católica.
Neste contexto, os Ordinariatos Pessoais instituídos segundo a supra-mencionada Constituição Apostólica podem ser vistos como um passo ulterior em direcção à realização da aspiração à plena e visível união na única Igreja, que é um dos fins principais do movimento ecuménico.
Fonte: Santa Sé Tradução: OBLATVS
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Comunicado do Primaz da Comunhão Anglicana Tradicional 20/10/2009
Passei a tarde de hoje [ontem] falando com bispos, padres e leigos da Comunhão Anglicana Tradicional na Inglaterra, África, Índia, Canadá, Estados Unidos e América do Sul.
Estamos profundamente comovidos pela generosidade do Santo Padre, Papa Bento XVI. Ele oferece nesta Constituição Apostólica os meios para que os “ex-anglicanos entrem na plenitude da comunhão com a Igreja católica”. Ele espera que nós possamos “encontrar nesta estrutura canónica a oportunidade para preservar aquelas tradições anglicanas que nos são preciosas e consistentes com a fé católica”. Ele então declara calorosamente: “ficamos felizes porque estes homens e mulheres trazem consigo suas contribuições particulares para nossa comum vida de fé”.
Em primeiro lugar, seja-me permitido afirmar que este é um ato de grande bondade da parte do Santo Padre. Ele tem dedicado seu pontificado à causa da unidade. Tal ato ultrapassa os sonhos que ousamos incluir em nossa petição de dois anos atrás. Ele ultrapassa nossas orações. Nestes dois anos, tomamos consciência das orações de nossos irmãos na Igreja Católica. Talvez suas orações ousaram pedir mais que as nossas.
Enquanto esperamos o texto completo da Constituição Apostólica, também estamos comovidos pela natureza pastoral da Nota publicada hoje [ontem] pela Congregação para a Doutrina da Fé. Meus colegas bispos, de facto, já firmaram o Catecismo da Igreja Católica e fizeram uma declaração sobre o ministério do Bispo de Roma, reflectindo as palavras do Papa João Paulo II em sua carta “Ut Unum Sint”.
Outros grupos anglicanos manifestaram à Santa Sé um desejo semelhante e uma aceitação semelhante da fé católica. Como indicado pelo Cardeal Levada, esta resposta aos pedidos dos anglicanos terá um carácter global. Cabe agora a estes grupos forjar uma cooperação directa, mesmo onde eles transcendam os actuais limites da Comunhão Anglicana.
Felizmente, a declaração publicada pelo Arcebispo de Cantuária reflecte a compreensão que tem de nós, que ele não se interpõe em nosso caminho e entende as decisões que tomamos. Tanto esta reacção quanto nosso pedido são frutos de um século de oração pela unidade dos cristãos, uma causa que muitas vezes pareceu vã. Expressamos agora nossa gratidão ao Arcebispo Williams e, com frequência, lhe asseguramos nossas orações. A Sé de Agostinho permanece sendo o foco de nossa peregrinação, como o fora nos anos de fé no passado.
Eu me comprometi com a Comunhão Anglicana Tradicional para que a resposta à Santa Sé será dada por cada um de nossos Sínodos Nacionais. Eles já haviam endossado nosso caminho. Agora a Santa Sé nos instiga a procurar nas estruturas específicas que agora estão disponíveis a “plena e visível unidade, especialmente a Comunhão Eucarística”, pela qual há muito tempo rezamos e com a qual há muito sonhamos. Tal processo começará imediatamente.
No Ofício Anglicano Matutino, o grande Hino de Acção de Graças, o Te Deum, é parte do Ordo diário. É com profundo agradecimento ao Deus Todo-Poderoso, o Senhor e Fonte de toda paz e unidade, que este hino está hoje em nossos lábios. Este é um momento de graças, talvez mesmo um momento histórico, não porque o passado seja desfeito, mas porque o passado é transformado.
Arcebispo John Hepworth
Primaz
Tradução: OBLATVS http://oblatvs.blogspot.com/2009/10/papa-prepara-constituicao-apostolica.html
» Quinta-feira, 22/10/2009: Roma quer atrair os anglicanos tradicionais
- W. Oppenheimer e M. Andrade - Em Londres e Roma

O papa Bento 16 decidiu criar uma nova estrutura para receber, possivelmente, centenas de milhares de tradicionalistas que renegam a visão progressista da Igreja Anglicana em relação à homossexualidade e ao papel das mulheres na igreja. Pela primeira vez desde a reforma protestante e a ruptura entre a igreja inglesa e Roma no século 16, o papa estabeleceu as bases para que comunidades inteiras de anglicanos possam ser admitidas na Igreja Católica sem que tenham de renunciar a sua liturgia.

Isso significa que Roma aceitará em seu seio sacerdotes casados (como já faz com os católicos do rito oriental), mas os bispos anglicanos que aderirem à nova congregação não serão reconhecidos como bispos e os sacerdotes que entrarem nela solteiros não poderão se casar posteriormente. Até agora, os anglicanos que negavam as posições progressistas de sua igreja não tinham alternativa senão aceitá-las, combatê-las por dentro ou se converter totalmente ao catolicismo.
Saiba mais


O papa Bento 16 chega para a sua oração semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano
Bento 16 dá passo histórico e facilita conversão de anglicanosAnúncio do Vaticano deve gerar êxodo de sacerdotes anglicanosIniciativa pró-conversão de Bento 16 pode esvaziar anglicanismoPelos caminhos de Newman e de Tony Blair
A primeira consequência que se pode esperar desse anúncio histórico é uma forte diminuição do número de fiéis anglicanos, que hoje somam cerca de 77 milhões em todo o mundo, especialmente de sacerdotes. A segunda é que se abre o caminho para que a Igreja Anglicana aprove a ordenação de mulheres bispos sem nenhum tipo de obstáculo, transformando-se assim em pólo de atracção dos cristãos que crêem que sua fé não é incompatível com a igualdade entre homens e mulheres e que renegam a obsessiva agressividade dos tradicionalistas em relação aos homossexuais. Isto é, a Igreja Anglicana pode perder peso, mas pode ganhar em coerência interna e afastar o fantasma do cisma.

Outra consequência pode ser um maior equilíbrio entre anglicanos e católicos no Reino Unido, onde se estima que existam cerca de 25 milhões de anglicanos e 5 milhões de católicos. A nova estrutura criada por Roma abre as portas particularmente aos chamados anglo-católicos, uma corrente do anglicanismo que se sente mais próxima da liturgia católica que da protestante e que nunca digeriu totalmente a ordenação de mulheres sacerdotes, para não falar no desenvolvimento de mulheres bispos.

A nova estrutura foi apresentada nesta Terça-feira em Roma pelo cardeal americano William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em uma entrevista colectiva na qual explicou que a iniciativa "responde a diversos pedidos por parte de clérigos e fiéis anglicanos procedentes de diversas partes do mundo que querem entrar em plena comunhão com Roma".

Para reflectir sua abertura aos tradicionalistas anglicanos, o papa Bento 16 decidiu elaborar uma constituição apostólica, decreto de categoria máxima e facto excepcional na igreja, que prevê a criação de prelaturas pessoais como a que ostenta actualmente o Opus Dei. Desse modo, as comunidades anglicanas que decidirem entrar na Igreja Católica dependerão de um bispo particular, e não do que lhes corresponderia territorialmente em função da diocese em que residem.

O cardeal Levada defendeu que a constituição apostólica representa "uma resposta razoável e necessária a um fenómeno global e oferece um único modelo canónico para a igreja universal adaptável a diversas situações locais". Mas descartou que será estendida a comunidades como a de São Pio X, que reúne seguidores do integralismo católico representado por Marcel Lefebvre. "Não há nenhuma relação entre a abertura para os anglicanos e o próximo início do colóquio com os lefebvrianos", previsto para 26 de Outubro, disse.

Paralelamente ao comparecimento de Levada em Roma, ocorreu uma entrevista colectiva conjunta em Londres do arcebispo anglicano de Canterbury, Rowan Williams, e o primaz católico da Inglaterra e Gales, o arcebispo de Westminster, Vincent Nichols. Alguns viram um símbolo dos novos tempos no facto de que o encontro tenha se realizado em território de Nichols.

Os dois líderes eclesiásticos emitiram uma nota conjunta em que comemoraram que a iniciativa "põe fim a um período de incerteza para os grupos que alimentaram esperanças de novas vias para abraçar a unidade com a Igreja Católica". Mas alguns analistas salientaram nesta Terça-feira que a nova estrutura significa de facto o fim da aproximação entre as Igrejas Católica e Anglicana.

Rowan Williams, um progressista que ganhou críticas dos dois sectores do anglicanismo por suas tentativas de contentar a alguns sem agravar a outros, esforçou-se para reduzir a importância do anúncio do Vaticano, que na sua opinião "não tem um impacto negativo nas relações da comunhão como um todo com a Igreja Católica".

"Não é um acto de agressão, não é uma declaração de desconfiança. É 'business as usual' [uma situação normal]", afirmou Williams. Mas o arcebispo de Canterbury não pôde ocultar seu desagrado pelo facto de que o Vaticano não só não o consultou sobre suas intenções como se limitou a lhe comunicar seus planos há apenas "algumas semanas", admitiu Williams, com o rosto vermelho de contrariedade.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves http://noticias.uol.com.br/

Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009: Património Anglicano?
Respostas sobre a incorporação dos anglicanos
Recebi alguns questionamentos (na forma de comentário, que reproduzo em negrito abaixo) sobre o processo de incorporação dos anglicanos tradicionalistas na Igreja Católica. Incorporar, formar o mesmo corpo; acho que essa é a palavra mais adequada, embora não soe agradável.
I - A não exigência do celibato para sacerdotes não é tradição no ocidente. Isso pode gerar problemas
R – Não acredito. Mas esse é o pensamento lógico, contudo já há o que se chama de Provisão Pastoral criada por João Paulo II para receber os pastores anglicanos norte-americanos. Nessa Provisão não há a necessidade do celibato. Então, é uma experiência já provada na Igreja latina e não houve grandes transtornos ou questionamentos. É claro que agora isso reacenderá discussões, é inevitável, mas não será por muito tempo. Veremos mais do mesmo, exactamente quando a Provisão Pastoral foi criada. O que Bento XVI fez foi "apenas" ampliar a provisão para o mundo todo e dar uma hierarquia a ela, porque os actuais padres-anglicanos de hoje estão subordinados a um bispo romano e aos bispos diocesanos locais.
II - Em relação à liturgia, temo que haja ainda mais confusão, haverá três ritos correntes no ocidente(há outros ritos lícitos no ocidente, como o ambrosiano, mas estes não são correntes). Temo que isso afecte a Universalidade, com dois ritos correntes já dá uma confusão tremenda, três, então...
R – Também não se aplica. Veja que o rito “anglicano” será de uso exclusivo dos fiéis que integrarão este ordinariato. É o mesmo caso com o rito ambrosiano, por exemplo, onde só os fiéis de Milão o vivem mais intensamente (há celebrações esporádicas nos EUA, mas são raras...). Da mesma forma que o Summorum Pontificum não teve qualquer efeito nos melquitas, o rito anglicano não nos afectará.
III - Não entendo como pode haver um "património litúrgico anglicano”. Ora esse património é fruto de um cisma, da protestantização da religião católica, pode a árvore envenenada dar frutos bons...
R – Os frutos são justamente o uso litúrgico, as orações, etc. É justamente para evitar que esses “venenos” entrem junto com as coisas boas que o Vaticano faz um estudo sério de todo o aspecto teológico em questão. Orações que favorecem a heterodoxia são eliminadas, mas ainda sim sobram coisas boas. Para a criação da Provisão, já na década de 80, o Papa João Paulo II confiou todo o trabalho à Congregação para Doutrina da Fé, para que tudo fosse analisado e purificado. Assim os anglicanos da provisão ficaram com uma liturgia, por exemplo, muito próxima do seu antigo rito anglicano, favorecendo a adaptação na Igreja Católica.
Autor Danilo Augusto http://igrejauna.blogspot.com/


Perito esclarece: Porta aberta aos anglicanos não é para ex-sacerdotes católicos casados - Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Um prestigioso teólogo católico americano converso do anglicanismo, explicou que o anúncio da Santa Sé sobre a criação do Ordinariatos Pessoais para acolher aos paroquianos e clérigos anglicanos, não é uma porta aberta para os ex-sacerdotes católicos que abandonaram a Igreja nem tampouco permite que os sacerdotes em funções contraiam matrimónio.



O Padre George Rutler (foto), que durante nove anos foi sacerdote episcopaliano –membro da comunhão anglicana-, converteu-se ao catolicismo e foi ordenado sacerdote católico. Ele escreveu mais de 14 livros de teologia, tem um programa televisivo no canal católico EWTN e é pároco em Nova Iorque.


Em declarações à agência Catholic News Agency, que integra o Grupo ACI, o perito lamentou que a imprensa “desinformada e sempre sensacionalista em temas de religião”, concentre-se na admissão de sacerdotes anglicanos casados no seio da Igreja.

Para exercer o ministério sacerdotal na Igreja Católica, “estes sacerdotes anglicanos casados deverão ser ordenados completa e validamente por um bispo católico. Seguindo o costume ortodoxo, eles puderam casar-se somente antes da ordenação anglicana e não depois. E nenhum homem casado se converterá em bispo”, explicou o Padre Rutler esclarecendo que a Igreja não está abrindo uma porta a aqueles ex-sacerdotes católicos que abandonaram a Igreja e contraíram matrimónio.

Além disso, assinalou que “os bispos anglicanos que se unam aos ‘ordinariatos’ (católicos) já não serão reconhecidos como bispos. Por uma concessão especial, os bispos anglicanos terão certo direito de autoridade pastoral, mas não serão bispos”.

Segundo o sacerdote, com esta cobertura jornalística se perde de vista “o ponto mais importante”: “O anúncio da Santa Sé reitera a insistência da Igreja Católica em que as sagradas ordens anglicanas são inválidas, e em consequência também sua eucaristia”.

Para o Padre Rutler, será necessário ver quantos anglicanos (episcopalianos nos Estados Unidos) serão recebidos na Igreja Católica sob estas condições, mas o anúncio confirma “a rápida desintegração do anglicanismo ao menos no Ocidente e desafia radicalmente os anglicanos em outras partes do mundo”.

O perito considerou que os pedidos massivos de ingresso na Igreja Católica, são “uma bofetada ao anglicanismo liberal e um repúdio total da ordenação de mulheres, o matrimónio homossexual e o descuido geral da doutrina no anglicanismo. De facto, trata-se de um rechaço definitivo do anglicanismo”.

“Basicamente, o anglicanismo se interpreta como um património espiritual apoiado na tradição étnica em lugar da doutrina substancial e deixa em claro que não é uma igreja histórica, mas sim uma comunidade eclesiástica, que se desviou e agora é convidada a retornar à comunhão com o Papa como Sucessor do Pedro”, indicou.

Também destacou o cuidado do anúncio no Vaticano, realizado em simultâneo com uma conferência de imprensa do Arcebispo católico de Westminster e o Arcebispo anglicano de Canterbury em que disseram que a próxima constituição reconhece o património espiritual do anglicanismo e que o diálogo ecuménico segue adiante.

Enviado por: José Pechorro, Paróquia da Póvoa da Isenta.

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