sexta-feira, 30 de abril de 2010



 





INSTRUMENTO DE TRABALHO PARA O CONSELHO PASTORAL DIOCESANO


29 DE MAIO DE 2010


CRISTO, A BELEZA DO AMOR
QUE SALVA


 “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos
anjos, se não tiver amor sou como bronze que ressoa” (1 Cor 13,1)


1.Opção fundamental do cristão class="Normal__Char">. Jesus Cristo é como
o sol nascente que dissipa as trevas do mal. A sua luz ilumina o mistério
de Deus e o mistério do homem, orienta-nos no caminho da vida, abre-nos
à esperança e à confiança no futuro. No ano pastoral de 2009 2010
aprofundámos o testemunho da fé dos cristãos, chamados a ser luz
do mundo, referências da rectidão, da bondade e da fraternidade.


Para o ano de 2010 2011 vamos continuar a aprofundar o significado
e os efeitos da fé em Jesus Cristo para a vivermos com alegria e a
testemunharmos com credibilidade. A grande novidade de Cristo, manifestada
na sua entrega por nós e na sua Ressurreição, é o testemunho do
amor que salva. Aquele que acredita e vive em Cristo aprende a amar
e a perdoar, a servir e a dar a vida. O amor que Cristo nos consagrou
é mais forte do que o mal. Por isso, quem tem fé vence o mundo, torna-se
nova criatura e fermento de um mundo novo. Num ambiente de grande relativismo
moral e de forte egoísmo, de confusão e de deformação acerca do
significado da fé e da missão da Igreja, precisamos de estar seguros
acerca da identidade do cristianismo e do contributo que somos chamados
a prestar para renovar (salvar) o mundo.
Como o apóstolo
Paulo, o cristão, nas várias circunstâncias da vida, é testemunha
do amor de Cristo por todos.


“Nós cremos no amor que
Deus nos tem”- deste modo pode o cristão exprimir a opção fundamental
da sua vida
(Bento XVI, Deus Caritas Est, Deus é amor (DCE),
1).
Ser
cristão é viver a convicção de que Deus nos ama.

São João esclarece-nos o acontecimento fundamental em que vemos o
grande amor que Deus nos tem.
“Deus de tal modo amou o mundo que Lhe entregou
o Seu Filho único para que todo o que n’ Ele crer (…)tenha a vida
eterna” (Jo 3,16).


 Praticar a fé cristã é esforçar-se por amar e por servir:
Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus….” Este
é o centro da fé, a imagem de Deus e a consequente imagem do homem
e do seu caminho” (DCE 1)
Testemunhar a luz da fé, falar de
Deus é testemunhar o amor.


Este é o testemunho mais fiel, mais eloquente e mais credível da
fé no mundo agnóstico e com suspeitas sobre o cristianismo. Todos
anseiam pelo amor verdadeiro e pela beleza perfeita. Onde poderemos
encontrá-los? Dostoievsky, na sua sensibilidade profunda, disse-o em
palavras simples:
“Cristo é a única beleza que salva o mundo”.


 


2. Falta amor à vida class="Normal__Char">. Sem amor ninguém
pode viver. O que o mundo mais precisa é de quem ame. Um hino litúrgico
da quaresma, ao referir várias manifestações da “
fúria do pecado sobre a terra”, conclui
com a mais gritante e o resumo de todas as outras
: “ o amor faltando à vida”. Reina,
de facto, um egoísmo cego que fecha as pessoas na consideração exclusiva
e feroz do seu bem individual; a comunicação social tende a fazer
do mal um espectáculo a que as pessoas assistem passivamente; fazem-se
acusações e atiraram-se pedras de forma leviana e, muitas vezes, injusta;
a informação manipula a verdade; as notícias destacam os escândalos
e o que há de pior na humanidade; banaliza-se o mal e perde-se o sentido
de pecado. Há um empobrecimento humano, um vazio, um desencanto sobre
o progresso moral.


Vede que amor tão grande o Pai
nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e, realmente,
o somos! É por isso que o mundo não nos conhece, uma vez que o não
conheceu a Ele.” (1 Jo 3,1).
De facto, quem não conhece Deus não compreende
esta identidade profunda do cristão.
Acerca do cristianismo e da Igreja, apresentam-se frequentemente caricaturas,
deturpações e generalizações negativas. Vem ao de cima o anticlericalismo
e o anti-cristianismo que apenas realçam e avolumam as faltas dos crentes
e repetem sempre os mesmos argumentos. São como os acusadores da mulher
adúltera, referidos no evangelho, com pedras na mão à espera de um
“bode expiatório”. Num ambiente de relativismo moral e de dependência
do politicamente correcto, notamos como a Igreja incomoda pela sua liberdade
e pela defesa firme dos valores humanos do evangelho que são fundamentais
à civilização e ao futuro da humanidade, como o matrimónio estável
entre homem e mulher, o respeito pela vida humana desde o seu início
até ao fim, a verdade, a justiça, a igualdade e a fraternidade.


Se prestarmos atenção à realidade e não nos deixarmos guiar pelo
sensacionalismo da comunicação social, descobrimos também, na Igreja
e na sociedade, muitos gestos admiráveis de amor verdadeiro, muitas
vidas entregues sacrificadamente ao serviço do próximo, muita gente
que se esforça por ser fiel, por vencer o egoísmo, por levar uma vida
digna e recta: sacerdotes entregues totalmente à sua missão; leigos
generosos dedicados às actividades pastorais; muita gente com sentido
de serviço; muitos voluntários que colaboram gratuitamente em actividades
sociais e culturais; famílias unidas no amor; profissionais competentes
e honestos; gente boa com gosto de ajudar e em quem podemos confiar.
As pessoas que vivem com rectidão são as verdadeiras estrelas da humanidade
pois ensinam a bondade, o serviço aos outros, a responsabilidade pelo
bem comum. São luzes de esperança que nos ajudam a acreditar em Deus
e a acreditar na bondade que há no coração humano. São importantes
para compreendermos e acreditarmos em Deus e no homem.


Todos somos chamados e todos podemos colaborar no testemunho do amor,
na construção da justiça, da reconciliação e da fraternidade. Testemunhar
o amor é cultivar a alegria e semeá-la. Como disse o Senhor, há mais
alegria em dar do que em receber.


 


Questões para diálogo:


Em que nota que o amor falta
à vida? Vê oportunidade nesta proposta pastoral para o próximo
ano? Porquê? Que experiências e gestos significativos de amor verdadeiro
verifica no seu ambiente?


 


3. Construir a civilização do amor


O amor que Jesus testemunhou liberta das alienações, promove a dignidade,
confere graça e encanto à vida. Deste modo, apresenta Ele, na sua
aldeia de Nazaré, a missão que vem realizar: “
O Espírito do Senhor está sobre mim, porque
me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres, enviou-me a proclamar
a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista, a
mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor”
(Lc 4, 18-19).


A missão da Igreja tem como origem e modelo a missão que Jesus recebeu
do Pai e, como garantia de eficácia, o dom do Espírito Santo que infunde
nos nossos corações o amor e a alegria:
“Como o Pai Me enviou também eu vos envio a
vós (…) Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão
perdoados” (Jo 20, 21-22).
O amor mostra-se no perdão, cura
as feridas da vida, recria o homem. O amor é mais forte do que a capacidade
de destruição humana. Como diz a Sagrada Escritura, o amor é mais
forte do que a morte.


O que é amar? “O termo amor tornou-se hoje uma das palavras
mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente
diferentes” (DCE 2).
Entendemos o amor segundo a concepção
bíblica, manifestado de forma plena na entrega de Cristo por nós.
São Paulo apresenta-nos, no hino da caridade da Carta aos Coríntios,
a originalidade do amor cristão que o Espírito Santo infunde nos discípulos
de Cristo. (1Cor 13). O amor é o maior dom que devemos procurar, pedir
e cultivar. Contudo, esclarece São Paulo, o amor cristão não é possessivo,
não se preocupa só com o bem individual, não chama a atenção para
si próprio, mas esquece-se de si mesmo para servir com paciência,
bondade e humildade.


Questões para diálogo:


Que confusões verifica sobre
o amor? Como caracteriza a originalidade do amor cristão (ler 1 Cor
13, 1-8)? Que contributo somos chamados a dar para renovar o mundo?


 


4. O amor segredo da comunhão
eclesial.


Nascida do amor do Pai, da entrega de Jesus o Filho e da acção do
Espírito Santo, a Igreja apresenta-se desde as origens como uma comunidade
exemplar, unida no amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os primeiros
crentes viviam como se tivessem um só coração e uma só alma. Este
testemunho conduzia ao aumento dos que entravam no caminho da salvação
(Cf Act 2, 42-47).


Questões class="Normal__Char"> para diálogo:


Como vencer o individualismo
e as divisões que empobrecem a vida e o testemunho cristão? Como crescer
na comunhão eclesial? (A nível dos grupos face à comunidade; das
capelas em relação à paróquia; das paróquias em relação à vigararia
e à diocese; dos crentes em relação ao Corpo eclesial). Que passos
podemos dar para progredir na pastoral de conjunto (na partilha de responsabilidades
e de recursos pastorais)?


 


5.Formação cristã, aprender
a amar


Uma das deficiências do nosso cristianismo tradicional é a ignorância.
Os nossos fiéis em geral não estão preparados para dar razões da
fé perante um mundo hostil à Igreja. Experimentam grandes dificuldades
em transmitir a fé aos filhos. A catequese de infância e adolescência
parece não dar frutos convincentes. Precisamos de encontrar um novo
paradigma de formação de adultos, jovens e crianças.


O objectivo da formação é manifestar em nós a imagem de Cristo: class="Normal__Char">“Deus
predestinou-nos para sermos conformes à imagem de Seu Filho” (Rm
8, 29).
Jesus é Aquele que se entregou por nós, Aquele que
nos ama. Revestir a sua imagem é aprender a amar como Ele ama. Deste
modo, o objectivo de fundo de toda a formação cristã é aprender
a amar no amor de Cristo.


A formação cristã consiste, portanto, em aprender a ser discípulo
de Cristo, a escutar a sua palavra, a seguir o seu caminho. Não se
alcança apenas com a aquisição de conhecimentos mas com a exercitação
da prática do evangelho. Ou seja, deve orientar-se pela pedagogia catecumenal
e não pela pedagogia escolar (Cf “Celebrar os sacramentos na fé
da Igreja, cap III).


Questões para diálogo:


Como caracteriza a formação
na perspectiva catecumenal? Que meios temos ao nosso alcance para apoiar
a formação permanente? Quais os frutos da “lectio divina”? Como
escolher e preparar animadores leigos para a formação cristã?













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